Realmente não sei. E confesso estar intrigada, muito intrigada. Fazia já algum tempo que meu coração não sentia esse aquecimento, só de ver alguma mensagem chegando, de ficar esperando um novo recado... Parece que meu estomago embrulha, sinto vontade de vomitar, fico ansiosa e estraçalho minhas unhas, sinto que vou ter um ataque cardíaco só de pensar na tua resposta.
E o pior de tudo, é que eu não sei nada sobre você... Sei teu nome, onde estudou, conheço alguns dois amigos, ponto. Não sei seus gostos músicas, suas alergias, suas manias, quais coisas te encantam, quais são seus sonhos mais bobos, e os mais complexos.
Sim, você me fascina. Mas... Por quê? Tenho vontade de entrar no teu mundo, descobrir teus segredos, curar teu passado! Então me dá um sinal, demonstra interesse, pois tenho o pressentimento de que posso te fazer feliz. Não sei como sei disso, mais sei! E sei que vai ser recíproco. Então vai, me convida pra sair, só pra conversar. Vamos apostar na nossa sorte.
É, você! A pessoa que eu espero desde que descobri o que significava amor. A pessoa com quem eu já tive sonhos perfeitos, mas nunca fui capaz de ver o rosto. A pessoa que vai me fazer feliz, e vai me fazer esquecer todas as coisas que já me fizeram mal. Do mundo inteiro, das horas, dos lugares, das pessoas, de TUDO!
Vai, vamos parar com essa brincadeira! Cansei de brincar de esconde-esconde do amor, cansei de te procurar em pessoas e lugares, e acabar me deparando com clones seus, imperfeitos, mas parecidos com você. E eu sei que você também está me procurando, mas vou te dar uma dica: você está no lugar errado, eu to aqui, olha! Estou esperando você, desisti de me esconder, agora quero parar, encontrar você e brincar de outra coisa, vamos brincar de ser feliz agora, okay? Mas vamos brincar JUNTOS!
Sabe por quê? Porque eu caí muito durante nosso esconde-esconde... E agora estou machucada e preciso de você! Você que tem um poder mágico sobre mim, que só de estar ao meu lado já sara todas as minhas feridas. Que só de segurar a minha mão anestesia a minha dor. Que tem o poder de reconstruir o meu coração, e fazê-lo bater acelerado, não por medo, mas pela adrenalina de ter conseguido. Adrenalina de ter te encontrado.
Então se apresse, vou preparar um café e fazer alguns biscoitos. E estou aqui, te esperando. Imaginando a tua face, como vai ser te ter ao meu lado, imaginando os momentos que vamos ter juntos. Anda logo, antes que o café esfrie...
Ass: o teu grande amor.
...confesso que fiquei triste como sempre. Mas, pela primeira vez, triste por você. Fico me perguntando que outra mulher te veria além da sua casca. E parece que você não lembra como vale à pena gostar de alguém e acordar ao lado dessa pessoa, mesmo que ela acorde 5 horas depois de você. Você não sabe como isso é infinitamente melhor do que acordar com essa ressaca de coisas erradas e vazias. Ou sozinho e desesperado para que algum amigo reafirme que o seu dia valerá a pena. Ou com alguma garotinha boba que vai namorar sua casca. Esses seus relacionamentos totalmente intensos, totalmente vazios.
E eu tinha vontade de segurar seu rosto e ordenar que você fosse esperto e jamais me perdesse e fosse feliz. Mas essa vontade diminuiu. Temos tudo o que duas pessoas precisam para ser feliz. A gente dá muitas risadas juntos. A gente admira o outro desde o dedinho do pé até onde cada um chegou sozinho. A gente tem certeza de que nenhum perfume do mundo é melhor do que a nuca do outro no final do dia. A gente se reconheceu de longa data quando se viu pela primeira vez na vida.
E você sempre me olhava com essa carinha banal de “me espera só mais um pouquinho”. Querendo me congelar enquanto você conferia pela centésima vez se não tem mesmo nenhuma mulher melhor do que eu. E sempre voltava. Mas vai de volta. Pode conferir mais uma, e pela última, vez. Fica por lá.
Porque, quando você está com medo da vida, é na minha mania de rir de tudo que você encontra forças. E, quando você está rindo de tudo, é na minha neurose que encontra um pouco de chão. E, quando precisa se sentir especial e amado, é pra mim que você corre. Lembra do nosso reencontro? Você afundado na lama e eu, linda, oferecendo novamente o céu para você. E, quando pensa em alguém em algum momento de solidão, seja para chorar ou para ter algum pensamento mais safado, é em mim que você pensa. Eu sei de tudo. E eu passei os últimos anos escrevendo sobre como você era especial e como eu te amava e isso e aquilo.
Caiu finalmente a minha ficha do quanto você é, tão e somente, um cara burro. E do quanto você jamais vai encontrar uma mulher que nem eu nesses lugares deprê em que diz encontrar alegria. Mas, me conta, o que você sente quando deita a cabeça no travesseiro? Eu sei o quanto a sua felicidade sem mim deve ser pouca pra você viver reafirmando o quanto é feliz sem mim e principalmente viver reafirmando isso para mim. Sabe o quê? Eu vou para a cama todo dia tranquila e com uma saudade imensa de você. Ao invés de estar por aí caçando qualquer mala na rua pra te esquecer ou para me esquecer. Ao invés de fugir disso tudo como você faz. Ao invés de atirar para todas aquelas que eu tinha ciúmes, pagando de palhaço para todos verem. E não me sinto fraca ou boba ou perdendo meu tempo por causa disso.
Também sou convidada para essas festinhas com gente “wanna be” que você anda adorando. Mas eu já sou alguém e não preciso mais querer ser. Eu não preciso mais dessas escapatórias superficiais.
E eu, finalmente, deixei de ter pena de mim por estar sem você e passei a ter pena de você por estar sem mim. Coitado. Boa sorte.
* Tati Bernardi