Acho que entendi uma coisa... Desde sempre tive essa idéia utópica de encontrar o amor da minha vida. Que coisa, não é? Em pleno século XXI e ainda fico sonhando acordada. Sempre desejei um sentimento tão intenso que me tirasse a capacidade de raciocinar, algo que me daria coragem de fazer loucuras, esses típicos clichês de amor. Mas isso nunca chegou.
Não digo que não tive relacionamentos, ou possíveis príncipes encantados. Mas sempre que começava a sentir aquelas sensações de amor, eu me fechava! Estranho, eu sei, para uma pessoa que sonha em ter um amor de verdade... Cheguei até a pensar que tinha fobia de amor! Mas agora encaro o meu problema de cara.
Não tenho essa tal fobia não, só não sei o que é! Nunca tive isso, e não falo só de relacionamentos amorosos, falo de familiares,d e amicais. Nunca tive algo devastador, nunca consegui me entregar por completo em nenhum tipo de relacionamento. Não me dou a liberdade de dar o que estou recebendo, mesmo que seja algo simples, com expressar os sentimentos. Não consigo!
E isso tudo, é derivado da minha falta de amor... Queria que tivessem me ensinado a amar, queria que alguém tivesse me deitado na cama, em uma noite qualquer, e me contado a historia de amor mais banal, mas uma historia marcante. Não queria ter aprendido isso sozinha. Agora sinto-me como um animal irracional, se deparando com algo desconhecido: ou ele ataca, ou ele vai com muita “sede ao pote”, ou ele foge. Nunca aceita com facilidade, e é raro conseguir não ter medo e fugir.
E essa minha necessidade de amor é, na verdade, uma fachada para esconder a minha verdadeira fobia: do desamor. Não quero morrer sem contar para meus filhos como conheci o pai deles, contar minha história predileta de contos infantis, uma historia inventada, nas minhas noites de insônia. Quero ensinar alguém o que é o amor.
Tá tudo parecendo tão difícil. Não os estudos, nem os romances... A vida, eu acho. Já faz tempo que eu tento me explicar isso, pra ver se entendo. E ainda não consegui. Sabe, eu sempre tive essa mania de tentar me entender, de tentar saber quem eu realmente sou, e sempre achei que, aos olhos das outras pessoas, eu era fraca, sem personalidade alguma e principalmente sem graça alguma.
E esses dias atrás, duas pessoas que eu gosto muito, mas não tenho tanta “intimidade” ao ponto de falar sobre a minha vida, me abordaram com esse assunto, em duas situações completamente distintas.
A primeira situação, a pessoa (que não, não citarei o nome, nem grau de amizade) estava tentando me entender, entender minhas decisões definitivamente sem lógica, meu jeito de pensar e o que estou sentindo. E ela me disse as seguintes palavras (lógico que vou passar do jeito que lembro): “Você não tá nem ai pra agradar a pessoa. Se você gosta, gosta e ponto, não fica correndo atrás, nem demonstrando isso! Acho legal isso em você. E uma coisa que eu percebo, é que você não gosta de pedir as coisas, tenta ser bem independente, mesmo precisando muito, que nem agora, você não dá o braço a torcer.”
E eu me vi ali, em poucas palavras, descrita. Confesso que fiquei impressionada! Sempre achei que as pessoas não entendiam esse meu jeito “orgulhoso” de ser. Sempre achei que todos pensavam que eu só era boba mesmo. Mas não, essa pessoa me descreveu, em um dia qualquer de primavera, em dois minutos, aproximadamente. Fez uma coisa que eu tento fazer a anos.
Já a segunda situação foi mais complexa. Vindo da pessoa que mais esteve próxima de mim do que todas que eu conheço, a que mais conviveu comigo, mas ao mesmo tempo esteve mais distante também, no sentido de intimidade (novamente, graças a mim). E em um clima de discussão ainda por cima, o que intensifica a opinião. Estávamos discutindo, de maneira bem agressiva, devo dizer, quando chegamos ao assunto do meu jeito de ser. E então ela disse: “você é uma pessoa legal, pra mim, você foi a pessoa mais legal do mundo, uma pessoa sincera, que soube me ajudar quando precisei, que me escutava, mas você nunca veio se abrir comigo, eu sempre tenho que perguntar aqui e ali. Você não precisa ter vergonha de nada, nem ficar pensando no que os outros vão pensar. É só você se soltar, não ter medo do que quiser fazer. Por exemplo, com relacionamentos: você é linda, mas não se valoriza, você não tem confiança em você. Mas devia ter! Você tem que gostar de você! Tem um rosto lindo, olhos, cabelos, é alta, tem bunda, perna grossa (sim, ela falou isso...). Isso os homens gostam! [...] Só quero te dizer que não te acho uma pessoa entediante, muito pelo contrário! [...] Mas a gente não muda do dia pra noite. É isso que eu quero te mostrar, que as coisas mudam e que não temos que ter medo disso! Entende?”
E essa foi a conversa mais produtiva (para mim) que eu tive nos últimos anos da minha vida. O que mais me chocou, é que veio da minha irmã! Com quem não divido nada da minha vida, quem eu pensava que definitivamente não entendia nem ao menos porque eu gosto de rock. Mas estava errada. Ela me conhece, mais do que muita gente ao meu redor! Ela soube também falar, em uns 15 minutos, as coisas que me atormentam desde os meus 14 anos. A “aprovação da sociedade”, a minha baixa auto-estima, a minha dificuldade de fazer amigos e o meu medo de mudanças.
Enfim, não sei mais o que falar.